Crónicas de Pão-De-Ló


Lábia de Peninha? Jamais.
Fevereiro 5, 2008, 2:26 am
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Há pessoas que inequivocamente têm jeito para viver nos dias de hoje. E há pessoas como nós.

Exteriormente nem há muitas diferenças. Mas há qualquer coisa lá dentro, um interruptor idiota cujos circuitos foram mal construídos: pior ainda do que simplesmente baralhados, alguns ficaram sem extremidade positiva e dão simplesmente choques.

E assim, enquanto há pessoas que demonstram um extraordinário talento para as coisas da vida, há pessoas como nós.

E o que quero eu dizer com isso? Lábia. Manha. Conversa. Em suma, jeito! E acreditem que não digo nada disso com conotação negativa. É só um desabafo. Quem me dera ter jeito.

Issue 1: Cábulas. Vejo-me incapaz de as fazer, e quando as faço, incapaz de as usar. Admito, tenho pena dos professores.

Issue 2: Súplicas. Novamente, é para mim impossível engraxar alguém, mostrar-me propositadamente mais simpática porque realmente seria favorável.

Issue 3: Lutar, lutar, lutar. Como são lindas as pessoas de olhos arredondados e testas lisas que esvoaçam pelas ruas até à última expiração para lutarem pelo que querem.

Issue 4: Decorar. Isto é simplesmente uma deficiência de cérebro. Chamem-lhe pseudo-issue se quiserem.

Issue 5: Talento, e logo objectivos. Abismo de objectivos na minha direcção. Eles não vêm até mim e eu obviamente não os encontro. Será que os minimeus os gamaram?

Há aquelas pessoas como o Tio Patinhas. E depois, há o Peninha.



A diferença do enjoo
Fevereiro 4, 2008, 2:12 am
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Gosto do acto da criação. Não era sobre isto que queria falar, mas já agora, despejo para aqui este aparte. Gosto (e desculpem o exemplo rebuscado) de quando se instala o Windows, depois de formatar o computador, e tudo parece novo e intocável, com todas as opções originais e apenas um ícone do ambiente de trabalho. E também gosto de começar blogues novos, definir a cor dos links e do banner, o nome e o endereço. E antes, gosto de começar cadernos, de começar em páginas brancas, de desperdiçar folhas para começar sempre de novo. Para criar da tábua rasa.

Mas o que vinha aqui desabafar não parece ter muito a ver com isto. Eu vinha falar-nos (porque eu também me incluo no pacote) de amizades. E de como as pessoas mais complexas se tornam na maioria das vezes nas amizades mais gratificantes.

Não digo por isso que gostem delas logo ao princípio. Nem que gostem delas no fim. Não – as pessoas complicadas têm o condão de nos atrair sempre, mesmo quando nos repelem. É difícil criar laços com as pessoas complicadas, porque dia sim, dia não dizem algo completamente inesperado que nos deixa boquiabertos, chocados, desejosos de os mandar dar uma volta no outro (lado do) mundo. As pessoas complicadas também têm uma tendência para ser más influências, de uma maneira ou de outra. Por vezes são tão más companhias que nos arrastam com elas, por outras tão boas que nos cozem em inveja. Mas com sorte a nossa percentagem de influenciabilidade mantém-nos sãos o suficiente para não chegarmos tropeçar – muito. E o que é delicioso é essa ameaça de sanidade sempre presente, o desafio constante, a linha ténue entre o amar e a vontade de arrancar os cabelos.

Pelo menos para mim, que dizem que sou do oito e cento e noventa, parece-me que o melhor são as pessoas que nos conquistam, aos poucos, em vez das pessoas que são tão despreocupadamente naturais, viventes, bonitas, sorridentes. Bonitinhas. Fofinhas. Irritam-me as pessoas sorridentes extrovertidas e simpáticas round the clock. Se não há pessoas que são felizes sempre, há concerteza quem finja. E isso é irritante – mesmo que seja mais simples conviver com elas e compreendê-las.

Pelo contrário há pessoas que chegam a ser horrendas, extenuantes. Mas no dia seguinte, sem elas, acordo com a boca a saber a pouco. Tenho sono. Cá para mim é da complexidade que se faz a vida. E é ela que torna as coisas bonitas.
Mesmo que cansativas… nunca enjoativas.